Texto de Fernando Vieira Filho¹
Desde o primeiro uso, o principal composto
psicoativo da cannabis, o THC (tetrahidrocanabinol), atua diretamente no
sistema endocanabinoide do cérebro. Ele se liga principalmente aos receptores CB1,
abundantes em áreas relacionadas ao prazer, memória, atenção, coordenação
motora e tomada de decisão.
Nos primeiros minutos, pode surgir sensação de
relaxamento, euforia e alteração da percepção. Porém, ao mesmo tempo, o cérebro
já inicia um processo de adaptação.
Entre o terceiro e o quinto dia de uso diário,
começa a surgir tolerância. Estudos de neuroimagem indicam que pode
ocorrer redução na disponibilidade dos receptores CB1 — em alguns casos próxima
de 15% a 20%. Isso significa que quantidades maiores da substância passam a ser
necessárias para produzir os mesmos efeitos.
Após cerca de duas semanas de uso contínuo,
pesquisas associam o consumo frequente a prejuízos na memória de curto prazo e
na consolidação de novas memórias. O impacto tende a ser mais significativo em
pessoas com menos de 25 anos, fase em que o cérebro ainda está em
desenvolvimento estrutural e funcional.
Com o uso diário, o risco de desenvolver transtorno
por uso de cannabis aumenta. Dados epidemiológicos indicam que
aproximadamente 30% dos usuários frequentes podem preencher critérios para esse
transtorno em algum momento da vida. Nesses casos, o consumo deixa de ser
apenas recreativo e passa a ocorrer para evitar desconfortos ou manter a
sensação de normalidade.
Após 30 dias de uso contínuo, a interrupção
pode provocar sintomas de abstinência, como irritabilidade, ansiedade,
alterações do sono, redução do apetite e inquietação. Esses sintomas costumam
surgir nas primeiras 24 a 72 horas e podem durar de duas a seis semanas,
variando de intensidade conforme o padrão individual de consumo.
Do ponto de vista respiratório, fumar cannabis
expõe o pulmão a partículas irritantes e substâncias tóxicas semelhantes às
presentes na fumaça do tabaco, podendo contribuir para inflamação das vias
aéreas, tosse crônica e redução da função pulmonar ao longo do tempo.
¹Fernando Vieira Filho –
Psicoterapeuta/Clínico, Palestrante e Escritor
Autor:
• CURE SUAS MÁGOAS E SEJA FELIZ! – 2ª Ed. -
Barany Editora, 2012.
• DIETA DOS SÍMBOLOS – Coautor, 6ª
Ed. - Melhoramentos, 2004.
• PSICOFÁRMACOS - Uso, Aplicações,
Drogas Deletérias e Interações Medicamentosas.
• PSICOPATOLOGIA - Uma Abordagem
Simples e Objetiva, Incluindo Psicopatologias Infantis.
• DEPRESSÃO – A Dor Silenciosa.
• SISTEMA DE TERAPIA FLORAL do
Doutor Edward Bach - 2013
• BEBIDA NÃO É BRINCADEIRA - O
Alcoolismo – 2013.
• VIVA LEVE - Programa Alimentar
das FORMAS GEOMÉTRICAS – 2004.
Contato:
• Telefone: (34) 9 9972-4096
• No WhatsApp: https://wa.me/5534999724096