terça-feira, 24 de janeiro de 2012

A Loucura sob Novo Prisma - 14ª ed.



Esta semana terminei de reler uma obra-prima da literatura espírita brasileira, A Loucura sob Novo Prisma, 14ª edição da FEB – escrita pelo Dr. Bezerra de Menezes, ainda reencarnado. Portanto, transcrevo aqui parte do prefácio deste livro atualíssimo, que recomendo a todos profissionais da saúde mental e estudiosos leigos, para que fiquem atentos aos dramas da obsessão espiritual.

“... o nobre autor encaminha-se para o objeto principal da obra que vem a ser a implacável realidade da “obsessão”, ou seja, da atuação de um espírito inferior sobre uma criatura encarnada. O homem, na sua marcha evolutiva, através das inúmeras existências, consoante a lei da reencarnação, assim com granjeia amigos tem a desgraça, muitas vezes, por força de usa imperfeição moral, de também fazer inimigos. “Todos, pois, que descem à vida, corpórea, tem em torno de si, por piores que sejam Espíritos protetores e, por melhores que sejam perseguidores, inimigos feitos no tempo do seu maior atraso.” É enorme o número de criaturas em desequilíbrio psíquico e cuja causa não é outra senão a atuação do mundo espiritual inferior.

Conclui-se, pelas exposições feitas até aqui, que o homem pode ser levado a um estado de loucura sem que, todavia, se lhe registre qualquer lesão cerebral. A essa espécie de loucura a ciência espírita denomina “obsessão”, repetimos. É que ele resulta da atuação de um Espírito desencarnado que, envolvendo fluidicamente outro, encarnado, impede que o cérebro deste transmita com equilíbrio ou clareza seus pensamentos, Essa atuação varia em grau e intensidade, daí variar também o grau de perturbação ou desequilíbrio da criatura obsidiada. Caracteriza-se obviamente o estado de loucura quando o obsessor, arrastado por um ódio mais profundo, investe contra sua vitima que, vulnerável a esse assédio, por força de suas próprias fraquezas morais, vê-se arrastada a uma condição muitas vezes deplorável. Daí a loucura obsessional, que Ciência desgraçadamente ignora. A essa espécie de loucura dever-se-ia dispensar um tratamento basicamente espiritual, sem, todavia, descurar-se da assistência medica comum, no que tange a preservação do equilíbrio orgânico. Enquanto escrevia sua obra, Bezerra recebeu, pelo correio, de um médium que preferiu o anonimato, apreciável mensagem subscrita por Hahnemann. Pelo seu valor, dela extraímos o seguinte: “Duas causas podem concorrer para o fato da perturbação mental; uma externa, outra interna. Por não fazer esta distinção, querendo sempre ver lesão onde não existe, às vezes, senão perturbação determinada por um agente que escapa a todos os meios terapêuticos, é que a Medicina tem caído em malogros. Nas perturbações devidas às forças traumáticas, encontra o alienista meios mais ou menos seguros de regularizar o aparelho cerebral, e de restituí-lo a suas naturais funções materiais. O mesmo, porém, não sucede quando se trata de casos com quais não concorre lesão alguma cerebral. Colocai diante de vos um espelho, que tenha defeito nalguns pontos, tal que não reflita a imagem completa dos objetos que se lhe apresentam. É caso de loucura por lesão do cérebro.Colocai, porem, entre vos e um espelho em perfeito estado, um corpo que possa embaraçar a transmissão da luz que de vos parte para o espelho, e infiel será a reprodução de vossa imagem. É o caso da loucura por obsessão. No primeiro caso, o mal vem do espelho que está estragado; no segundo, vem da interposição de um corpo estranho, entre o espelho e o corpo que se lhe apresenta. Esta figura, toscamente esboçada, basta para assinalar a diferença que existe entre os dois estados em que pode achar-se o Espírito encarnado, com relação a manifestação de seus pensamentos. Se os alienistas procurassem dirigir seus estudos de conformidade com os novos ensinos que se vão propagando por toda parte, os hospícios só receberiam os doentes do primeiro caso, e se transformariam, talvez , com mais razão em casa de caridade e em salas de moralização. Nestas condições, eles serviriam para o tratamento dos doentes de uma e de outra espécie de loucura..”

Bezerra arrola alguns fatos inequívocos de obsessão e que, atendidos adequadamente, levaram os obsedados ao reequilíbrio e completa cura. Como diagnosticar tais casos?

Obviamente, servindo-se de médium suficientemente adestrado e da sessão mediúnica integrada de pessoas da mais alta moral e dos conhecimentos básicos da Doutrina Espírita. Não é tarefa para incipientes ou neófitos. E muito menos para meros curiosos. É trabalho da mais alta responsabilidade. Eis sucinto comentário sobre essa admirável e atualíssima obra do Dr. Adolfo Bezerra de Menezes, A Loucura sob novo prisma, edição da Federação Espírita Brasileira.”

Assim caro leitor, acredito que as sessões de desobessão, nas Casas Espíritas, devem ser feitas dentro do maior rigor doutrinário, evitando, no momento da sessão, estudos e comentários de obras que não sejam de Allan Kardec. Lembrando que o trabalho de desobsessão é um exercício de caridade, compaixão e desprendimento absoluto, em favor de entidades em sofrimento, sejam elas encarnadas ou desencarnadas. E ainda, é de bom alvitre lembrar, tudo aquilo, que fazemos a outrem, estamos fazendo por nós mesmos.

Fernando Vieira Filho - Psicoterapeuta clínico, palestrante e escritor. Autor do livro CURE SUAS MÁGOAS E SEJA FELIZ! – 2ª Ed. - Barany Editora - 2012. E coautor do livro DIETA DOS SÍMBOLOS – 6ª Ed. - Melhoramentos - 2004.
É autor dos E-Books:                                                                                                                        PSICOFÁRMACOS - Uso e aplicações de forma simples e eficaz.                                            PSICOPATOLOGIA - Apresentada de forma simples e objetiva - Incluindo psicopatologias infantis.                                                                                                                                              SISTEMA DE TERAPIA FLORAL do Doutor Edward Bach (Portuguese Edition) – Amazon – 2013. E-book.
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quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Esquizofrenia – um drama em família


Por Fernando Ferreira Filho (1)

Apesar da exata origem da doença não estar concluída, as evidências indicam mais e mais fortemente que a esquizofrenia é um severo transtorno do funcionamento cerebral. Segundo pesquisadores, as atuais evidências relativas às causas da esquizofrenia são um mosaico: a única coisa clara é a constituição multifatorial da esquizofrenia. Isso inclui mudanças na química cerebral, fatores genéticos e mesmo alterações estruturais. A origem viral e traumas encefálicos não estão descartados. A esquizofrenia é provavelmente um grupo de doenças relacionadas, algumas causadas por um fator, outras, por outros fatores.
A questão sobre a existência de várias esquizofrenias e não apenas uma única doença não é um assunto novo. Primeiro, pela diversidade de manifestações como os subtipos paranóide, hebefrênico e catatônico além das formas atípicas, que são conhecidas há décadas. Pouco se sabe sobre essa doença. O máximo que se consegue é obter controle dos sintomas com os antipsicóticos. Nem sua classificação, que é um dos aspectos fundamentais da pesquisa, foi devidamente concluída.
Começo da doença
A esquizofrenia é uma doença incapacitante e crônica que ceifa a juventude e impede o desenvolvimento natural. Geralmente essa doença começa durante a adolescência ou no adulto jovem. Os sintomas aparecem gradualmente ao longo de meses e a família e os amigos que mantêm contato frequente não notam nada. É mais comum que uma pessoa, fora da família, perceba melhor a esquizofrenia se desenvolvendo.
Por outro lado há pessoas que desenvolvem esquizofrenia rapidamente, em questão de poucas semanas ou mesmo de dias. A pessoa muda seu comportamento e entra no mundo esquizofrênico, o que geralmente alarma e assusta muito os parentes e amigos.
Não há uma regra fixa quanto ao modo de início: tanto pode começar repentinamente e eclodir numa crise exuberante, como começar lentamente sem apresentar mudanças extraordinárias, e somente depois de anos surgir uma crise característica.
Geralmente os primeiros sintomas são a dificuldade de concentração, prejudicando o rendimento nos estudos; estados de tensão de origem desconhecida mesmo pela própria pessoa e insônia e desinteresse pelas atividades sociais com conseqüente isolamento. A partir de certo momento, mesmo antes da esquizofrenia ser deflagrada, as pessoas próximas se dão conta de que algo errado está acontecendo. Nos dias de hoje os pais poderão pensar que se trata de uso de drogas, os amigos podem achar que são dúvidas quanto à sexualidade, outros julgarão serem dúvidas existenciais próprias da idade. A psicoterapia contra a vontade do doente será indicada e muitas vezes, realizada sem nenhum melhora da pessoa. A permanência da dificuldade de concentração levará à interrupção dos estudos e perda do trabalho. Aqueles que não sabem o que está acontecendo, começam a cobrar e até hostilizar o doente. Ele, por sua vez, também não entende o que está acontecendo, e sofre pela doença iniciante e pela ignorância da família. É comum nessas fases o desleixo com a aparência ou mudanças no visual em relação ao modo de ser, como a realização de tatuagens, colocação de piercings, cortes de cabelo estranhos, indumentárias ridículas e descuido com a higiene pessoal.
Muitas vezes não há uma fronteira clara entre a fase inicial com comportamento anormal e a esquizofrenia propriamente dita. A família pode considerar o comportamento como tendo passado dos limites, mas os mecanismos de defesa dos pais os impede muitas vezes de verem que o que está acontecendo; não é culpa ou escolha do filho, é uma doença mental.
A fase inicial pode durar meses, enquanto a família espera por uma recuperação do comportamento. Enquanto o tempo passa, os sintomas se aprofundam, a pessoa apresenta uma conversa estranha, irreal, passa a ter experiências diferentes e não usuais, o que leva as pessoas próximas a julgarem ainda mais que ele está fazendo uso de drogas ilícitas. É possível que o doente já esteja tendo sintomas psicóticos durante algum tempo antes de ser levado a um médico.
Quando um fato grave acontece não há mais meios de se negar que algo errado está acontecendo, seja por uma atitude fisicamente agressiva, seja por tentativa de suicídio, seja por manifestar seus sintomas claramente ao afirmar que é Jesus Cristo ou que está recebendo mensagens do além e falando com os mortos. Nesse ponto a psicose está clara, o diagnóstico de psicose é inevitável. Nessa fase os pais deixam de sentir raiva do filho e passam a se culpar, achando que se tivessem agido antes nada disso estaria acontecendo, o que não é verdade. Infelizmente não existe tratamento precoce que previna a esquizofrenia, que é uma doença inexorável. As medicações controlam parcialmente os sintomas: não normalizam o doente. Quando isso acontece é por remissão espontânea da doença e por nenhum outro motivo conhecido pela ciência atual.

Diagnóstico

Não há um exame que diagnostique precisamente a esquizofrenia, isto depende exclusivamente dos conhecimentos e da experiência do médico psiquiatra, portanto é comum ver conflitos de diagnóstico. O diagnóstico é feito pelo conjunto de sintomas que o doente apresenta e a história como esses sintomas foram surgindo e se desenvolvendo. Existem critérios estabelecidos para que o médico e terapeuta tenham um ponto de partida, uma base onde se sustentar, mas a maneira como o profissional encara os sintomas é bem pessoal. Um psiquiatra pode considerar que uma insônia apresentada não tenha maior importância na composição do quadro; já outro pode considerá-la fundamental. Assim os quadros não muito definidos ou atípicos podem gerar conflitos de diagnóstico.

Curso da doença

A esquizofrenia é doença grave, pois afeta as emoções, o pensamento, as percepções e o comportamento. A gravidade dela não está tanto no diagnóstico: está mais no curso da doença.

Classicamente a distinção que Kraepelin fez entre esquizofrenia (antigamente chamada de demência precoce) e o transtorno bipolar (psicose cíclica ou como era chamada, maníaco-depressiva) foi a possibilidade de recuperação dos bipolares, enquanto os esquizofrênicos se deterioravam e não se recuperavam. Talvez a partir daí criou-se uma tendência a considerar-se a esquizofrenia irrecuperável. Não resta a menor dúvida de que muitos casos não se recuperam, mas há exceções (tratamentos alternativos e espirituais) e quando elas surgem, toda a regra passa a ser duvidosa, pois se perdem os limites sobre os quais se operava com segurança.

Há dois motivos básicos que justificam a falta de segurança sobre o curso da esquizofrenia:
1- Falta de critérios uniformes nas pesquisas passadas sobre o assunto.
2- Dificuldade de se acompanhar ao longo de vários anos um grupo grande de doentes.

Faz apenas um pouco mais de 10 anos que a Organização Mundial de Saúde criou critérios objetivos e claros para a realização do diagnóstico da esquizofrenia. Na versão anterior, o CID 9 (Classificação Internacional de Doenças nº 9), os critérios eram "frouxos" permitindo diferenças consideráveis nos parâmetros adotados entre os estudos; assim as disparidades de resultados entre eles eram inaceitáveis terminando com a indefinição a respeito do curso da esquizofrenia.
Algumas psicoses são naturalmente transitórias e únicas na vida de uma pessoa. Se por engano essas são consideradas como esquizofrênicas gera-se conflito ao se comparar com estudos cujos critérios exigiam um período mínimo de meses na duração da psicose. Mesmo que durem muitos anos as psicoses não podem ser confundidas com a personalidade esquizóide. Assim, devido à falta de rigor na realização dos diagnósticos não podemos ter segurança nos estudos anteriores ao CID 10 ou ao DSM-III (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders number 3) para os estudos que se basearam nos critérios americanos; assim, as conclusões desses estudos não podem determinar nossa conduta atual. Apesar do CID 10 ter criado uma técnica comprovadamente mais confiável e precisa de se diagnosticar a esquizofrenia, o problema não está resolvido. Somente com o tempo e com mais pesquisas saberemos se os critérios hoje adotados estão corretos, se correspondem à realidade. Caso no futuro se constate que ainda são insuficientes, as pesquisas feitas com os critérios do CID 10 também serão desacreditadas. As pesquisas precisam dizer se o que estamos diagnosticando é uma doença com vários cursos naturais ou se são na verdade várias doenças cada qual com seu curso próprio. Perante essas dificuldades entendemos por que são tão almejadas técnicas biológicas, como as de imagem da tomografia por emissão de pósitrons, para se estudar as esquizofrenias.

Segundo alguns estudos, mesmo em casos de remissão completa, não há garantia de cura. Esse dado aparentemente banal é importantíssimo no relacionamento com o doente e sua família por que 100% deles perguntam se ficarão bem, se voltarão a ser o que eram. No atual momento nenhum profissional da saúde mental pode afirmar o que acontecerá. Dizer que não vai melhorar é provocar uma desesperança, dizer que vai ficar bom pode ser ilusório, o que posteriormente custará a confiança no profissional.

Causa

Sobre a causa da esquizofrenia só sabemos duas coisas: é complexa e multifatorial. O cérebro, por si, possui um funcionamento extremamente complexo e em grande parte desconhecido. Essa complexidade aumenta se considerarmos, e temos de considerar, que o funcionamento do cérebro depende do funcionamento de outras partes do corpo como os vasos sangüíneos, o metabolismo do fígado, a filtragem do rim, a absorção do intestino etc. Por fim, ao considerar outras variáveis nada desprezíveis como o ambiente social e familiar, a complexidade se torna inatingível para os recursos da Ciência. Provavelmente a esquizofrenia é resultado disso tudo. Na história da Medicina as doenças foram descobertas muitas vezes pelos grupos ou atividades de risco. As pessoas que passavam em determinado local e contraíam doenças comuns àquela região abriam precedentes nas pesquisas. Locais onde o solo era pobre em iodo, as pessoas adquiriam bócio; locais onde havia certos mosquitos as pessoas podiam adquirir malária, dengue, febre amarela. Locais infestados por ratos, adquiriam leptospirose. Com a esquizofrenia, nunca se conseguiu identificar fatores de risco, exceto o parentesco com algum esquizofrênico. Este fato dificulta as investigações porque não fornece as pistas nas quais os pesquisadores médicos precisam se basear para pesquisar. Como não há pistas, os profissionais são obrigados a escolher um tema, que por intuição, pode se relacionar à esquizofrenia e investigá-lo. É isto que tem sido feito.

Teoria Bioquímica

A mais aceita em parte devido ao sucesso das medicações: as pessoas com esquizofrenia sofrem de um desequilíbrio neuroquímico, portanto falhas na comunicação celular do grupo de neurônios envolvidos no comportamento, pensamento e senso-percepção.

Teoria do Fluxo Sangüíneo Cerebral

Com as modernas técnicas de investigação das imagens cerebrais (Tomografia por Emissão de Pósitrons- TEP) os pesquisadores estão descobrindo áreas que são ativadas durante o processamento de imagens sejam elas normais ou patológicas. As pessoas com esquizofrenia parecem ter dificuldade na "coordenação" das atividades entre diferentes áreas cerebrais. Por exemplo, ao se pensar ou falar, a maioria das pessoas mostra aumento da atividade nos lobos frontais, juntamente a diminuição da atividade de áreas não relacionadas a este foco, como a da audição. Nos esquizofrênicos observa-se anomalias dessas ativações. Por exemplo, ativação da área auditiva quando não há sons (possivelmente devido a alucinações auditivas), ausência de inibição da atividade de áreas fora do foco principal, incapacidade de ativar como a maioria das pessoas, certas áreas cerebrais.
A TEP (Tomografia por Emissão de Pósitrons) mede a intensidade da atividade pelo fluxo sangüíneo: uma região cerebral se ativa, recebendo mais aporte sangüíneo, o que pode ser captado pelo fluxo sangüíneo local. Ela mostrou um funcionamento anormal, mas por enquanto não temos a relação de causa e efeito entre o que as imagens revelam e a doença: ou seja, não sabemos se as anomalias, o déficit do fluxo sangüíneo em certas áreas, são a causa da doença ou a conseqüência da doença.

Teoria Biológica Molecular

Especula-se a respeito de anomalias no padrão de certas células cerebrais na sua formação antes do nascimento. Esse padrão irregular pode direcionar para uma possível causa pré-natal da esquizofrenia ou indicar fatores predisponentes ao desenvolvimento da doença.

Teoria Genética

Talvez essa seja a mais aceita de todas as teorias. Nas décadas passadas vários estudos feitos com familiares mostrou uma correlação linear e direta entre o grau de parentesco e as chances de surgimento da esquizofrenia. Pessoas sem nenhum parente esquizofrênico têm 1% de chances de virem a desenvolver esquizofrenia; com algum parente distante essa chance aumenta para 3 a 5%. Com um pai ou mãe aumenta para 10 a 15%, com um irmão esquizofrênico as chances aumentam para aproximadamente 20%, quando o irmão possui o mesmo código genético (gêmeo idêntico) as chances de o outro irmão vir a ter esquizofrenia são de 50 a 60%.A teoria genética, portanto explica em boa parte de onde vem a doença. Se explicasse tudo, a incidência de esquizofrenia entre os gêmeos idênticos seria de 100%.

Teoria do Estresse

O estresse não causa esquizofrenia, no entanto o estresse pode agravar os sintomas. Situações extremas como guerras, epidemias, calamidades públicas não fazem com que as pessoas que passaram por tais situações tenham mais esquizofrenia do que aquelas que não passaram.

Teoria das Drogas

Não há provas de que drogas lícitas ou ilícitas causem esquizofrenia. Elas podem, contudo, agravar os sintomas de quem já tem a doença. Certas drogas como cocaína ou estimulantes podem provocar sintomas semelhantes aos da esquizofrenia, mas não há evidências que cheguem a causá-la.

Teoria Nutricional

A alimentação balanceada é recomendável a todos, mas não há provas de que a falta de certas vitaminas desencadeie esquizofrenia nas pessoas predispostas. As técnicas de tratamento por megadoses de vitaminas não têm fundamento estabelecido por enquanto.

Teoria Viral

A teoria de que a infecção por um vírus conhecido ou desconhecido desencadeie a esquizofrenia em pessoas predispostas foi muito estudada. Hoje essa teoria vem sendo abandonada por falta de evidências embora muitos autores continuem considerando-a como possível fator causal.

Teoria Social

Fatores sociais como desencadeantes da esquizofrenia sempre são levantados, mas pela impossibilidade de estudá-los pelos métodos hoje disponíveis, nada se pode afirmar a seu respeito. Toda pesquisa científica precisa isolar a variável em estudo. No caso do ambiente social não há como fazer isso sem ferir profundamente a ética.

Minha opinião a respeito da esquizofrenia

Com todo o meu respeito à Ciência, aos pesquisadores e autores, como seguidor da Doutrina Espírita, não posso esquecer que a esquizofrenia, como toda doença séria e incapacitante, é uma consequência de desvarios e crimes cometidos pelo ser humano, em suas pregressas existências. E, como dizia meu sogro, Dr. Elias Barbosa, professor e médico psiquiatra espírita, com mais de quarenta anos de experiência clínica: “Os esquizofrênicos são espíritos de inteligência brilhante, que prejudicaram muitas pessoas em existências passadas e, que, na presente existência, sofrem uma ferrenha e metódica perseguição de obsessores desencarnados - suas antigas vítimas que ainda não o perdoaram.” Por isso, quando atendo pais espíritas, cujos filhos são esquizofrênicos, digo a eles que a doença por si só já é a própria cura do doente. Que sigam à risca o tratamento médico convencional, mas que levem o doente, tanto quanto possível, ao Centro Espírita, para ele tomar passes e água fluidificada. Os pais do doente devem frequentar sessões de desobsessão semanais, com muita disciplina. E em casa, fazer o Culto do Evangelho no Lar, todos os dias e, durante as preces, sempre pedir perdão aos perseguidores do filho esquizofrênico.

Sintomas da esquizofrenia

Alucinações - as mais comuns nos esquizofrênicos são as auditivas. O doente geralmente ouve vozes depreciativas que o humilham, falam palavrões, ordenam atos que os doentes reprovam, ameaçam, conversam entre si falando mal do próprio esquizofrênico. Pode ser sempre a mesma voz, podem ser de várias pessoas, podem ser vozes de pessoas conhecidas ou desconhecidas, podem ser murmúrios e vozes incompreensíveis, ou claras e compreensíveis. Da mesma maneira que qualquer pessoa se aborrece em ouvir tais coisas, os doentes também se afligem com o conteúdo do que ouvem, ainda mais por não conseguirem fugir das vozes. Alucinações visuais são raras na esquizofrenia, sempre que surgem devem pôr em dúvida o diagnóstico, favorecendo perturbações orgânicas do cérebro.
Delírios - Os delírios de longe mais comuns na esquizofrenia são os de perseguição. São as ideias falsas que os doentes têm de que estão sendo perseguidos, que querem matá-lo ou fazer-lhe algum mal. Os delírios podem também ser bizarros como achar que está sendo controlado por extraterrestres que enviam ondas de rádio para o seu cérebro. O delírio de identidade (achar que é outra pessoa) é a marca típica do doente mental que se considera Napoleão. No Brasil o mais comum é considerar-se Deus ou Jesus Cristo e outros Santos da Igreja Católica.

Perturbações do Pensamento - Estes sintomas são difíceis para o leigo identificar: mesmos os médicos não psiquiatras não conseguem percebê-los, não porque sejam discretos, mas porque a confusão é tamanha que nem se consegue denominar o que se vê. Há vários tipos de perturbações do pensamento, o diagnóstico tem que ser preciso porque a conduta é distinta entre o esquizofrênico que apresenta esse sintoma e um doente com confusão mental, que pode ser uma emergência neurológica.

Alteração da sensação do eu - Assim como os delírios, esses sintomas são diferentes de qualquer coisa que possamos experimentar, exceto em estados mentais patológicos. Os doentes com essas alterações dizem que não são elas mesmas, que outra entidade apoderou-se de seu corpo e que já não é ela mesma, ou simplesmente que não existe, que seu corpo não existe.

Falta de motivação e apatia - Esse estado é muito comum, praticamente uma unanimidade nos doentes depois que as crises cessaram. O doente não tem vontade de fazer nada, fica deitado ou vendo TV o tempo todo, frequentemente a única coisa que faz é fumar, comer e dormir. Descuida-se da higiene e aparência pessoal. Os doentes apáticos não se interessam por nada, nem pelo que costumavam gostar.

Embotamento afetivo - As emoções não são sentidas como antes. Normalmente uma pessoa se alegra ou se entristece com coisas boas ou ruins respectivamente. Esses doentes são incapazes de sentir como antes. Podem até perceber isso racionalmente e relatar aos outros, mas de forma alguma podem mudar essa situação. A indiferença dos doentes pode gerar raiva pela apatia consequente, mas os doentes não têm culpa disso e muitas vezes são incompreendidos.

Isolamento social - O isolamento é praticamente uma consequência dos sintomas acima. Uma pessoa que não consegue sentir nem se interessar por nada, cujos pensamentos estão prejudicados e não consegue diferenciar bem o mundo real do irreal não consegue viver normalmente na sociedade.
Estes três últimos sintomas não devem ser confundidos com depressão. A depressão é tratável e costuma responder às medicações, já esses sintomas citados da esquizofrenia não melhoram com nenhum tipo de antipsicótico. A grande esperança dos novos antipsicóticos de atuarem sobre os sintomas depressivos não se concretizou, contudo esses sintomas podem melhorar espontaneamente. Por isso que, hoje em dia, os médicos estão associando medicamentos antidepressivos com antipsicóticos, no tratamento da esquizofrenia.

Quando um filho tem esquizofrenia

Quando um filho tem esquizofrenia, ele sofre e sofre também a família. Num primeiro momento, tenta-se esconder a doença por causa do preconceito social. Quando a doença não passa os sonhos se desfazem e a preservação da imagem não tem mais sentido porque a doença é mais grave do que o preconceito. A desesperança surge junto com a tristeza e o sentimento de perda da vida, da perspectiva, do futuro daquele que adoeceu tem que ser superado. A doença não pede licença: impõe e obriga-nos a mudar de postura diante da vida, diante da dor. A esquizofrenia não pode ser encarada como uma desgraça: tem que ser vista como uma barreira natural para nossos planos e desejos pessoais. Quando alguém na família adquire esquizofrenia é necessário que toda a família mude, se adapte para continuar sendo feliz apesar da dor. Os artigos científicos não publicam, mas o ser humano é capaz de ser feliz apesar da doença.

Como reconhecer a esquizofrenia ainda no começo?

O reconhecimento precoce da esquizofrenia é uma tarefa difícil porque nenhuma das alterações é exclusiva da esquizofrenia incipiente; essas alterações são comuns a outras enfermidades, e também a comportamentos socialmente desviantes, mas psicologicamente normais. Diagnosticar precocemente uma insuficiência cardíaca pode salvar uma vida, já no caso da esquizofrenia a única vantagem do diagnóstico precoce é poder começar logo um tratamento, o que por si não implica em recuperação. O diagnóstico precoce é melhor do que o diagnóstico tardio, pois tardiamente já terá sido imposto muito sofrimento ao doente e à sua família, coisa que talvez o tratamento precoce evite. O diagnóstico é tarefa exclusiva do psiquiatra, mas se os pais não desconfiam de que uma consulta com este especialista é necessária nada poderá ser feito até que a situação piore e a busca do profissional seja irremediável. Qualquer pessoa está sujeita a vir a ter esquizofrenia; a maioria dos casos não apresenta nenhuma história de parentes com a doença na família.

Abaixo estão enumeradas algumas dicas - como dito acima, nenhuma delas são características, mas servem de parâmetro para observação:
• Dificuldade para dormir, alternância do dia pela noite, ficar andando pela casa a noite, ou mais raramente dormir demais
• Isolamento social, indiferença em relação aos sentimentos dos outros
• Perda das relações sociais que mantinha
• Períodos de hiperatividade e períodos de inatividade
• Dificuldade de concentração, chegando a impedir o prosseguimento nos estudos
• Dificuldade de tomar decisões e de resolver problemas comuns
• Preocupações não habituais com ocultismos, esoterismo e religião
• Hostilidade, desconfiança e medos injustificáveis
• Reações exageradas às reprovações dos parentes e amigos
• Deterioração da higiene pessoal
• Viagens ou desejo de viajar para lugares sem nenhuma ligação com a situação pessoal e sem propósitos específicos
• Envolvimento com escrita excessiva ou desenhos infantis sem um objetivo definido
• Reações emocionais não habituais ou características do indivíduo
• Falta de expressões faciais (Rosto inexpressivo)
• Diminuição marcante do piscar de olhos ou piscar incessantemente
• Sensibilidade excessiva a barulhos e luzes
• Alteração da sensação do tato e do paladar
• Uso estranho das palavras e da construção das frases
• Afirmações irracionais
• Comportamento estranho como recusa em tocar as pessoas, penteados esquisitos, ameaças de automutilação e ferimentos provocados em si mesmo
• Mudanças na personalidade
• Abandono das atividades usuais
• Incapacidade de expressar prazer, de chorar ou chorar demais injustificadamente, risos imotivados
• Abuso de álcool ou drogas
• Posturas estranhas
• Recusa em tocar outras pessoas

Nenhum desses sinais por si comprovam doença mental, mas podem indicá-la. Pela faixa etária, esses sinais podem sugerir envolvimento com drogas, personalidade patológica ou revolta típica da idade. Diferenciar a esquizofrenia do envolvimento com drogas pode ser feito pela observação da preocupação constante com dinheiro, no caso de envolvimento com drogas, coisa rara na esquizofrenia. As personalidades patológicas (por exemplo, a psicopatia, “borderline” etc) não apresentam mudanças no comportamento, são sempre desviantes, desde as tenras idades. Na esquizofrenia incipiente, ainda que lentamente, ocorre uma mudança no curso do comportamento da pessoa, e nas personalidades patológicas não. Na revolta típica da adolescência sempre haverá um motivo razoável que justifique o comportamento, principalmente se os pais tiverem muitos conflitos entre si.

Aos pais

• Aprendam a reconhecer os sintomas iniciais, que possam indicar uma possível recaída antes do quadro completo se instalar.
• Procurar atendimento médico logo, sem adiamentos.
• Procurar aprender sobre a doença para melhor entender o filho em suas necessidades.
• Estabelecer expectativas realistas para a condição individual do filho doente.
• Observar e aprender para melhor poder relatar os sintomas.
• Saber respeitar seus próprios limites: você não poderá ajudar adequadamente enquanto estiver precisando de ajuda.
• Tentar o máximo possível estabelecer uma relação amistosa, com um objetivo e finalidade estabelecida.
• Estimular parentes e amigos de seu filho a estabelecerem uma relação saudável.
• Comunicar-se de forma clara e objetiva, sem usar meias-palavras ou deixar mensagens subentendidas.
• Principalmente: ter um ambiente emocionalmente estável em casa. Expressões hostis mesmo que não direcionadas para a pessoa doente afetam e prejudicam o esquizofrênico. Não exercer cobranças sobre ele. Expressar as emoções tanto positivas (alegria) quanto as negativas (raiva) sempre com moderação.
• Estimular a religiosidade no doente seja ela de qualquer denominação. E todo fim de noite, procurar orar junto ao filho.

Uso dos medicamentos

Os remédios são a única alternativa para tratar a esquizofrenia, as outras formas de terapia complementam, mas não substituem as medicações. Há, contudo, uma natural resistência ao uso delas e isso é apenas uma conseqüência da forma como se entende a doença. Se encararmos a medicação como algo estranho ao corpo a aversão se dará inevitavelmente, mas se encararmos as medicações como substâncias reguladoras de atividades cerebrais desequilibradas, pode-se vê-las como amigas. O doente não tem nenhuma culpa por uma parte do cérebro estar desregulado, mas pode usar o lado saudável (o bom senso) para tomar a decisão de se tratar. As medicações, portanto, só fazem ajustar o que estava desajustado. Infelizmente no caso da esquizofrenia não se conhece medicações que realizem essa tarefa completamente, restabelecendo a normalidade do doente. Mas por enquanto temos uma ajuda parcial.

Fontes:

DSM. IV, CID.10
O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais foi publicado em 1952 pela Associação Americana de Psiquiatria.
New Hope in Pharmacotherapy for Schizophrenia - Leonardo Cortese.
Dalgalarrondo, Paulo - Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais, 2ª Ed. Artemed.
Os Demônios De Henry - Vivendo Com A Esquizofrenia: Pai E Filho Contam Sua História - Cockburn, Henry; Cockburn, Patrick / JORGE ZAHAR
Ajustamento Social na Esquizofrenia - Shirakawa, Itiro / Casa Leitura Médica - 4ª Ed. 2009
Esquizofrenia - Adesão ao Tratamento -Shirakawa, Itiro / Casa Leitura Médica
Entendendo a Esquizofrenia - Geraldes, Maria Thereza de Moraes; Bezerra, Ana Beatriz Costa; Palmeira, Leonardo Figueiredo / INTERCIENCIA

(1) Fernando Ferreira Filho é psicoterapeuta e autor deste blog.
www.harmoniacomflorais.com

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

A IMPORTÂNCIA DO NÃO NA VIDA DO HOMEM

O tema da entrevista é a importância de saber dizer não, isto é, ser assertivo. Programa Espírita - NOSSO CENTRO - TV MUNDI.
o entrevistado é o psicoterapeuta Fernando Ferreira Filho, autor deste blog.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

DEPRESSÃO E MEDIUNIDADE


Por Fernando Ferreira Vieira da Silva Filho (1)

Fontes consultadas (2)

Nos dias atuais, aumenta cada vez mais o contingente de pessoas em estado depressivo, vagando de consultório em consultório, sem esperanças de cura, com tristes prognósticos de internação em um hospital psiquiátrico. Formam uma grande leva de pessoas tristes, cansadas e desanimados para quem a vida parece não ter lógica alguma e a morte parece ser uma tábua de salvação.

Porque são levadas a fazerem mesmo o que não querem e não gostam, porque não sabem dizer não. E porque, também, dizem coisas que nem mesmo pensam, acabam sendo consideradas doentes mentais e tratados como tal.

A ciência, que ainda carrega em seu bojo, a filosofia cartesiana, mecanicista, e é materialista, não aceita o fato de que o ser humano seja formado de um corpo físico e uma alma que o domina e dirige, e que sobrevive à morte do corpo como individualidade livre e eterna. Isto porque não consegue ver e registrar a alma como identifica um nervo sob seu bisturi, ou porque seus instrumentos de análise não a percebem e sua observação direta não o identifica. O pensamento, que é o Espírito em ação, não seria nada mais do que o resultado do jogo das partes do cérebro, assim como uma secreção inteligente sem outras implicações fora da mente humana.

Esta é um triste realidade que constatei no início do segundo milênio quando a ciência procura vida em outros sistema solares, tem mesmo a pretensão de explicar a origem do Universo, e ainda não conhece o próprio homem já que não descobriu que ele não é apenas corpo, mas corpo, Espírito e alguma coisa mais. Isto dois mil anos depois de Jesus ter trazido sua mensagem de eternidade da vida pela sobrevivência da alma, e a Misericórdia Divina ter enviado, há 154 anos, a Doutrina Espírita demonstrando experimentalmente a existência do Mundo Espiritual e sua interação com o Mundo Físico e os espíritos estarem fazendo operações espirituais de extrema importância e delicadeza, a fim de despertar essa ciência materialista e recalcitrante.

Todas as ciências que cuidam da mente como a psiquiatria, psicanálise e a psicologia, desde que não admitam o Espírito, que é a essência do ser, jamais poderão explicar uma doença espiritual, pelos seus métodos e sistemas de análise.

Sendo a depressão é uma doença de origem espiritual, uma fase avançada do processo obsessivo, resultante do assédio persistente de espíritos inferiores e sofredores sobre a mente do homem e dos que o circundam, logicamente, quem não acredita na alma não está em condições de conhecer-lhe a causa e muito menos de tratá-la.

Daí essa situação triste de tanta gente consumindo custosos medicamentos para apenas minorar, controlar, “domesticar” o sofrimento, sem atingir a causa do problema, uma vez que não resolvem a questão e acabam danificando o seu organismo, limitam sua capacidade mental e afetiva, tirando-lhe condições de trabalho e de sobrevivência, podendo se transformar num caos econômico para toda a sua família.

O que a medicina procura é minimizar os efeitos do comportamento do paciente para que ele possa conviver com os outros, e é isto que faz quando lhe prescreve um psicotrópico que diminui sua capacidade mental, sua vontade e sua memória, tornando-o apático, indiferente e, conforme a sua impregnação medicamentosa, um verdadeiro robô a se mover sem vontade própria e sem objetivo determinado.

Quando o medicamento não consegue isto, a família do deprimido, ignorando as causas de sua doença e cansada de suportá-lo, procura interná-lo num sanatório e é aí que coisas pioram ainda mais e condenam o doente a acabar verdadeiramente louco, tendo em vista interações medicamentosas, que podem ser destrutivas se mal prescritas e o convívio continuado com outros doentes.

Para que o leitor possa pensar sobre o assunto, vou utilizar de matéria antiga publicada pela Folha de São Paulo, em sua edição de 15/08/1996, página 7 do 3º caderno, iniciando por trechos deu um artigo assinado pela jornalista Noelly Russo.

“Os distúrbios mentais ameaçam encurtar a vida dos brasileiros. Alcoolismo, depressão e transtornos da ansiedade hoje são responsáveis por faltas no trabalho e até por aposentadorias precoces.

“Nos EUA, aonde esses distúrbios vêm sendo pesquisados, a depressão é a segunda maior causa de ausência no trabalho. Só fica atrás de problemas cardíacos. Os gastos e prejuízos chegam a US$ 43 bilhões por ano.

“No Brasil, ainda não há estatística sobre o prejuízo causado pela depressão. Os psiquiatras acreditam que um quadro semelhante ao americano exista no país.

“Estima-se que 15% das aposentadorias precoces estejam relacionadas a distúrbios psiquiátricos”, diz Jair Mari, diretor do Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo.

“O Ministério da Previdência não possui dados sobre aposentadorias precoces por causas psiquiátricas. “A psiquiatria na aparece na mortalidade, por isso não existem dados disponíveis”, diz Mari.

“Segundo ele, os custos incluem consultas e medicamentos. “Sem tratamento, o custo aumenta. O deprimido falta ao trabalho ou tem capacidade de produção reduzida. O mau diagnóstico faz com que ele ou o Estado, gaste com exames e medicamentos inadequados.”

“Beny Lafer, diretor do Grupo de Estudos de Doenças Afetivas do Hospital das Clínicas da USP (Gruda), aponta a depressão como um dos distúrbios mais comuns entre os freqüentadores do Gruda.

“Muitas pessoas têm sua capacidade produtiva reduzida ou não conseguem trabalhar. Outros nem saem de casa.” Segundo ele, os sintomas aparecem e desaparecem.

“Quem já passou por uma crise depressiva tem 50% de chances de recaída. A probabilidade é de mais de 90% se houve três crises ou mais. Nesses casos, o tratamento não deve ser interrompido”, diz.

“No Brasil é possível estimar alguém com distúrbio psiquiátrico. Pode-se estimar que mais de 20% da população brasileira tenha algum distúrbio”, diz Valentin Gentil filho, presidente do conselho Diretor do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas.”

Segundo o psiquiatra inglês Stewart Montgomery, a depressão é uma doença que atinge 20% das pessoas em cada país do mundo. “É uma doença séria que dura a vida inteira. Ela prejudica tremendamente o doente e os que o cercam”, diz ele.

É um depoimento grave, mas que é a expressão da verdade, porque quando o paciente começa o tratamento não para mais; como apontei, não cura a depressão, apenas controla as reações e ações do paciente para que possa conviver com as outras pessoas e, por isto mesmo, como disse o médico inglês, “o tratamento dura a vida inteira.” Mas voltemos à transcrição.

“O inglês acredita que a ausência no trabalho provocada pela depressão é assustadora em todo o mundo. Segundo ele, a depressão é, em níveis mundiais, a doença que mais deixa o paciente de cama.

“O Banco Mundial fez um estudo que serviu para que os governos tomassem consciência de que é muito caro não cuidar do deprimido. Ele vai produzir menos, ou nada. Nesse caso, pode perder o emprego, passa a depender da família e, no mínimo, faz com que o Estado perca um contribuinte.

“A pior conseqüência da doença é o suicídio. Montgomery estima que 15% dos deprimidos cometam o suicídio. “Esse índice pode seu aplicado à maioria dos países. Isso porque a prevalência da doença é semelhante em todos os lugares.”

Ainda no mesmo Jornal e na mesma página, há outra matéria sob o título Conheça os distúrbios, da que também vamos transcrever alguns trechos.

“Os distúrbios psiquiátricos mais comuns são alcoolismo, depressão e transtornos de ansiedade, que incluem além de crise de ansiedade, pânico, fobias e manias.

“A depressão é considerada hoje como uma doença séria e qual interfere de maneira nociva na vida do doente. Os principais sintomas são insônia, tristeza persistente, desânimo, alteração no apetite, fadiga, falta de energia, baixa produtividade e perda de prazer (libido).

“A diferença de um estado depressivo e de uma crise está na identificação de pelo menos cinco dos oito sintomas, que manifestam, pelo menos, por duas semanas, de acordo com uma escala criada pelo médico inglês Stewart Montgomery, no final da década de 70.

“Os transtornos de ansiedade provocam estado de excitação e medos. O paciente que tem esses transtornos tem dificuldade de concentração, mal-estar físico, angústia e sensações desagradáveis como a taquicardia, tensão e perturbações estomacais.

“Os estados de ansiedade como pânico e fobias pode impedir a pessoa de sair de casa ou exercer determinadas funções.

“Uma pessoa com Síndrome do Pânico pode, por exemplo, vivenciar o terror de sair de casa com medo de morrer.

“A ansiedade, por outro lado, pode estar relacionada à depressão. Isso acontece quando o doente alterna estados de apatia profunda com euforia exagerada.”

Esses diversos depoimentos e notas podem dar uma idéia do tamanho do problema da depressão e de suas implicações sociais, especialmente da triste sorte reservada àqueles que são levados a esse estado de triste amargura.

Antes de abordar o assunto sob o ponto de vista espírita, no entanto, vou retirar do mesmo caderno Três, do mesmo Jornal, página 8, algumas considerações sobre os medicamentos ansiolíticos (calmantes), transcrevendo o artigo intitulado Substância reduz insônia, abaixo:

“A substância mais comum encontrada nos tranqüilizantes hoje é chamada de benzodiazepínico. Ela reduz a ansiedade, acalma e combate a insônia.

“Essa substância é usada por médicos para o tratamento de doenças como a epilepsia, porque combate convulsões.

“Também é usada no tratamento de dores fortes, alcoolismo, depressões e distúrbios de ansiedade.

“A maior crítica que se faz sobre os medicamentos benzodiazepínicos é que causam dependência.

“Os benzodiazepínicos também causam sonolência, amnésia, lapsos de memória e diminuem o reflexo dos usuários. Provocam lesões graves em gestantes. Se misturados com álcool, os benzodiazepínicos podem levar ao coma.

“A interrupção abrupta no uso desses medicamentos também tem conseqüências desagradáveis. Podem aparecer tremores, taquicardia, sudorese, diarréias, ansiedade, formigamento no corpo, entre outros.”

Eu trouxe, a você caro leitor, estas informações veiculadas pelo jornal A Folha de São Paulo, que as colheu em fontes altamente técnicas e insuspeitas, para que possa falar sobre o aspecto espírita da questão, da doença de cunho espiritual que Allan Kardec, desde o início de seu trabalho, chamou de obsessão, e que, de acordo com o grau de dominação, pode-se transformar em fascinação e possessão.

De modo geral, todas as pessoas podem ser influenciadas pelos espíritos que nos rodeiam, no entanto, no meio da multidão, numa porcentagem cada vez mais crescente, há uma categoria de pessoas que, pelas predisposições de seu organismo e pelos seus compromissos de ordem espiritual, estão muito mais propensas a receberem a influenciação dos espíritos, a servirem de intermediárias entre estes e os homens, gozando das mais variadas faculdades para esse intercâmbio.

São as pessoas chamadas de médiuns, medianeiras, justamente pela natureza de suas faculdades, como acima se explicou.

Por outro lado, é preciso frisar que ninguém renasce com uma espécie de carimbo que o identifique como médium. Também é preciso esclarecer que, para ser médium, não há necessidade de que o indivíduo seja Espírita, freqüente um Centro Espírita, ou receba de outra pessoa as suas faculdades.

Como o indivíduo já vem dotado de faculdades mediúnicas, pode-se dizer que elas são inatas, e o segue vida afora, sujeitando-o a todas as suas implicações: os pensamentos e fatos inusitados que ele mesmo não compreende, e os outros muito menos.

Mencione-se ainda que suas faculdades, dependendo do grau e da natureza delas, desabrocham desde cedo, em tenra idade, geralmente as faculdades de ver – vidência – e de ouvir – audiência, além de outra faculdade que Allan Kardec chamou de a faculdade de sentir os espíritos.

É enorme o número de pessoas dotadas de faculdades mediúnicas, de todos os gêneros, que desconhecem essa sua particularidade e são muito prejudicadas pelos espíritos inferiores que pululam ao nosso lado, e que não hesitam em se imiscuir em sua mente, em seus interesses, impondo-lhes pesado fardo de provações, tais como a desarmonia e desmantelo dos lares, provocação de brigas e de crimes, viciação de todos os gêneros, doenças e até mesmo a morte do corpo físico pela exaustão do fluido vital da pessoa atacada, ou vampirizada.

Todas essas intervenções de espíritos malfazejos, de modo geral, provocam depressão no indivíduo visado, com todos os seus sintomas característicos como insônia, tristeza persistente, desânimo, alteração do apetite e do humor, fadiga, falta de energia, baixa produtividade, perda de prazer (libido), para citarmos os sintomas com os quais a medicina moderna, identifica a depressão.

Assim, penso que, a imensa maioria dos casos de depressão, nasce de um processo obsessivo, da ação persistente e negativa de espíritos malévolos sobre a pessoa visada.

Por isso, sempre sugiro aos meus clientes, seja qual for a sua religião, que façam um culto ao Evangelho, começando com uma prece dirigida a Deus, aos santos e/ou amigos espirituais, seguindo a isto, a leitura (em meia voz) de um trecho (aberto a esmo) do Evangelho ou Novo Testamento e, terminando com uma prece de agradecimento ao Pai Maior. Peço ainda, que iniciem algum trabalho voluntário, em sua comunidade religiosa, para que exercitem a caridade em favor de seus semelhantes mais necessitados. Que os levará a uma autoreforma, ajustes de conduta íntima e a uma harmonização de seus conflitos existenciais.

É de bom alvitre levar tratamento médico, junto ao tratamento espiritual, porque ambos, com certeza, trarão ao doente o alívio de seus sintomas e uma esperança e até a remissão total de sua doença.

(1) Fernando Ferreira V. S. Filho é psicoterapeuta credenciado. www.harmoniacomflorais.com

(2) Fontes consultadas:

Franco, Divaldo - Tormentos da Obsessão.

Menezes, Bezerra - Loucura sob novo prisma. Feb
Dalgalarrondo, Paulo - Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais, 2ª Ed. Artemed.

Gentile, Salvador – Depressão. Cura-te a ti mesmo.

Departament of Health and Human Services: Depression is a Treatable Illness: A patient´s Guide DHHS Public Health Service. 1993.

Jornal Folha de São Paulo - em sua edição de 15/08/1996, página 7 do 3º caderno.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

VOCÊ DUVIDA DE SUA MEDIUNIDADE?

Por Osvaldo Shimoda (1)

Por que vivo doente? Em todos os lugares que freqüento, as pessoas me dizem que preciso desenvolver a minha mediunidade;
Por que passo mal em ambientes de muita aglomeração, como shopping, cinema, shows?;
Por que desde criança sinto muita tristeza, choro do nada, sem um motivo que justifique?;
Por que o meu humor é instável, muda subitamente, como o tempo de São Paulo?;
Por que as minhas mãos e os pés estão sempre gelados, e sinto muito sono e fraqueza?;
Por que a minha vida está bloqueada, nada flui?

A maioria de meus pacientes com essas e outras queixas, na verdade, são médiuns ostensivos (aqueles que servem de intermediário entre os espíritos desencarnados e os encarnados).

Não obstante, devido ao desconhecimento, despreparo, preconceito e ignorância a respeito da natureza espiritual do ser humano, a nossa sociedade ocidental materialista e tecnicista ainda ignora ou desqualifica a mediunidade, não a vendo como um fenômeno natural, inerente ao ser humano. Se de um lado a ciência médica e psicológica busca tratar o paciente médium apenas com medicamentos por se basear num modelo fisicista, organicista, cerebrocêntrico, vendo-o como um fenômeno físico-químico, ignorando sua mediunidade, do outro lado, muitas religiões mistificam-na, atribuindo-a ao diabo ou a satanás.

Há ainda os charlatães, os oportunistas, os inescrupulosos, que se aproveitam da fragilidade, vulnerabilidade que se encontram os médiuns desajustados, em desequilíbrio, para explorá-los financeiramente. No meu entender, a saúde é fruto de um organismo em equilíbrio energético, enquanto a doença seria conseqüência do rompimento desse equilíbrio.

Por isso, concordo plenamente com o que disse sabiamente o Dr. Pierre Weil - grande expoente e divulgador da Psicologia Transpessoal no Brasil (a psicologia transpessoal é considerada a 4ª força dentro da psicologia, depois da psicanálise, behaviorismo e psicologia existencial) - sobre os médiuns: Eu tenho a impressão de que os sensitivos e os médiuns são pessoas que têm uma verdadeira aptidão e vocação para curar os outros, e que o fato de captar doenças dos outros reequilibra o seu próprio sistema energético. Deixando de fazê-lo, desajustam-se do mesmo modo que um grande pianista ou pintor se desajustaria se deixasse de praticar a sua arte.

Não é à toa que muitos pacientes médiuns que vêm ao meu consultório, rotulados equivocadamente pela psiquiatria de doentes mentais, esquizofrênicos, borderline, psicóticos, bipolar, transtorno de pânico, depressivos, etc., após passarem pela TRE (Terapia Regressiva Evolutiva) - A Terapia do Mentor Espiritual - Abordagem psicológica e espiritual breve, criada por mim, transformam-se em médiuns equilibrados, resgatando seu equilíbrio biológico, psicológico, social e espiritual.

Veja, a seguir, o caso de uma paciente que duvidava de sua mediunidade, sofria de depressão desde criança, e veio a descobrir nessa terapia, a TRE, que a causa de sua depressão advinha do fato de não estar doando energia como médium de incorporação.

Caso Clínico: Depressão
Mulher de 45 anos, viúva, dois filhos.

A paciente veio ao meu consultório dizendo que desde criança sentia uma tristeza profunda, doída, chorava muito, mas sem um motivo que justificasse.
Os psiquiatras a diagnosticaram como uma paciente depressiva. Tomava antidepressivo, mas, segundo a paciente, ao invés de melhorar, sua tristeza havia agravado ao passar dos anos. Ela me relatou que tinha uma irmã gêmea, e que veio a falecer aos dois anos de idade.

Queria saber também qual era o seu verdadeiro propósito de vida, bem como o seu caminho espiritual, pois quando freqüentava um centro espírita passava mal. Todas as casas espíritas que passou lhe diziam que precisava trabalhar como médium de incorporação, e que sua depressão era porque não estava desenvolvendo sua mediunidade.

Não obstante, duvidava de sua mediunidade, não queira exercê-la, pois tinha medo de errar e vir a prejudicar as pessoas como médium. Queria entender também por que suas mãos ficavam sempre geladas, a mão direita tremia constantemente, e sentia muito sono e fraqueza.
Por fim, era revoltada por não ter tido a chance de estudar, não prosperava, só tinha perdas (chegou a perder um apartamento e um carro), e vivia da pensão do marido falecido.

Após passar pela 1ª sessão de regressão, na 2ª sessão, ela me relatou: Tem um ser espiritual... Sinto-o bem próximo de mim (paciente geme e se contorce - estava incorporando esse ser espiritual).

- Você pode se identificar? - Pergunto ao ser espiritual.
Eu preciso trabalhar, mas ela (paciente) não me deixa (fala alto e irado). Por isso que eu judio dela... Preciso ajudar as pessoas, mas ela não deixa que eu incorpore nela. Ela tem que dar passagem (incorporar) não só para mim, mas para os outros seres. Falaram numa casa espírita para ela só trabalhar com os seres iluminados, mas não vou aceitar isso (fala com muita raiva). Ela sabe que eu tenho que trabalhar, ela sente, mas não aceita trabalhar com os seres das trevas. Aí a gente fica perto dela, suga sua energia. Foi feito um acordo quando ela estava com a gente aqui nas trevas, que quando reencarnasse iria nos ajudar, trabalhando com a gente... Ela era um dos nossos, reencarnou para nos ajudar. O acordo era para ela trabalhar primeiro com os seres das trevas, depois com os seres de luz. (pausa).

O tremor que ela sente na mão direita vem da preta velha, sua guia espiritual. Eu já tive uma encarnação onde vim todo torto, aleijado (o corpo da paciente fica todo contorcido).
Aqui é escuro demais, ainda estou lá no fundo, nas trevas... A tristeza que ela sente desde criança é minha, mas ela não acredita. O choro dela também é meu, pois encosto nela (o ser das trevas fala com raiva, chorando muito). Se ela nos ajudar, vamos também ajudá-la”.
Na 3ª e última sessão, a paciente me disse: “Vejo uma mulher loira, de branco. Ela é alta, magra, usa um roupão longo que vai até os tornozelos (é a vestimenta comum dos seres de luz).
Ela é alegre, sorridente, transmite muita paz , serenidade... Sinto uma corrente de arrepio dos pés à cabeça. Essa moça está dançando, roda alegremente, como se tivesse brincando”.

- Pergunte em pensamento quem é ela? (a comunicação com os seres espirituais, seja da luz ou das trevas, dá-se em pensamento, telepaticamente, de forma intuitiva).
“Diz que é a minha irmã gêmea, que desencarnou quando tinha dois anos... Ela pede para mandar uma recado à minha mãe, que ela a ama muito, que está sempre me ajudando, pois é a minha orientadora, mentora espiritual. Pede também para eu não duvidar de minha missão”. (pausa).

- Qual é a sua missão?
“É trabalhar ajudando o meu próximo, servindo de instrumento dos seres espirituais como médium de incorporação. Diz também que como médium, a preta velha é a minha principal guia. Fala que preciso ajudar àqueles seres das trevas, através da incorporação. Revela que como estou atrasada em meus trabalhos mediúnicos, vou ter que trabalhar com os dois lados (seres das trevas e da luz).
Revela ainda que vou precisar trabalhar num centro de candomblé, que os seres de luz irão me ajudar a escolher o lugar certo. (pausa).
Eu lhe pergunto por que ela me deixou?
Diz que era o tempo dela, que assumimos um compromisso no astral de ficarmos juntas até os dois anos na vida atual, e após esse tempo, ela iria desencarnar para depois ser a minha mentora espiritual. Afirma que nunca me deixou, que está sempre me amparando... Sinto um arrepio no corpo todo, uma corrente de energia”.

- Pergunte-lhe o que seria essa corrente de energia?
“Diz que tenho muita energia, e que por isso, preciso doá-la ajudando as pessoas, através da mediunidade de incorporação”.

- Pergunte-lhe por que você duvida de sua mediunidade?
“Diz que tenho medo de errar e voltar às trevas”.

- O que pode acontecer caso você não trabalhe como médium?
“Fala que vou desencarnar e voltar às trevas”.

- Pergunte à sua mentora espiritual por que você não prospera e não pode concluir os seus estudos?
“Ela fala para não ficar chateada porque se eu estudasse não iria cumprir minha missão como médium, pois só iria me preocupar em ganhar dinheiro. Ela me lembra que nada ocorre por acaso. (pausa).
Eu lhe pergunto por que tenho resistência em orar?
Ela diz que são os seres das trevas me atrapalhando. Eles ficam com raiva porque quero rezar e eles não querem. (pausa). Ela confirma que essa tristeza profunda e o choro que vem do nada - desde criança - vem daquele ser das trevas, mas afirma que tudo isso vai acabar quando eu começar a trabalhar como médium de incorporação. Minha mentora espiritual fala: - Minha irmã, você foi muito alertada para trabalhar como médium de incorporação!”.

- Pergunte-lhe de onde vem sua resistência em assumir sua mediunidade?
“Diz que vem do medo de errar, de assumir responsabilidade como médium. Mas ela pede para não ter medo porque os mentores de luz estão sempre me ajudando.
Afirma que os seres das trevas que vou incorporar no centro de candomblé são homens e mulheres, mas que os mentores de luz vão estar acompanhando, observando tudo. Diz que a minha preta velha também vai me ajudar nesse trabalho”.

- Para finalizar o tratamento, pergunte à sua mentora espiritual se você terá que voltar mais para frente a essa terapia?
“Fala que não vou ter tempo para vir novamente a essa terapia, pois vou trabalhar muito como médium. Diz que já descansei muito.
Pede para não duvidar, que vou ter ainda muitas lágrimas de felicidade. Essa dúvida vem também da influência que tenho dos inimigos das trevas que não querem que eu ajude àqueles seres das trevas, bem como os encarnados. Há uma guerra entre eles para não perder seus soldados. Ela pede também para eu ser forte, que vou ainda fazer uma trabalho muito bonito. Ela me abraça, pede para ficar em paz, agradece o senhor, fala que o senhor é muito iluminado... Ela se despede, está indo embora”.


(1) Dr.Osvaldo Shimoda é psicólogo e criador da TRE (Terapia Regressiva Evolutiva) - A Terapia do Mentor Espiritual - Abordagem psicológica e espiritual breve. osvaldo. shimoda@uol.com.br <osvaldo. shimoda@uol.com.br>

domingo, 18 de setembro de 2011

Quando o Medo é a Dor Maior: Transtorno do Pânico


Quando o Medo é a Dor Maior: Transtorno do Pânico

Por Fernando Ferreira Filho*

O transtorno do pânico é definido como crises recorrentes de forte ansiedade ou medo. As crises de pânico são intensas, repentinas e inesperadas que provocam nas pessoas sensação de mal estar físico e mental, juntamente a um comportamento de fuga do local onde se encontram, seja indo para um pronto socorro, seja buscando ajuda de quem está próximo.

A reação de pânico é uma reação normal quando existe uma situação que favoreça seu surgimento - estar num local fechado onde começa um incêndio, estar afogando-se ou em qualquer situação com eminente perigo de morte. Nas situações em que a própria vida está ameaçada, o organismo toma medidas que normalmente não tomaria, perdendo o medo de pequenos perigos para livrar-se de um perigo maior. Para fugir de um leão podemos subir numa árvore mesmo tendo medo de altura ou fazendo esforços incomuns, sofrendo pequenos ferimentos que no momento não são percebidos. O estado de pânico é, portanto uma reação absolutamente normal e necessária para a autopreservação. Aqueles que fogem mais rapidamente do perigo de morte têm mais chances de sobreviver. Desta forma é feita a seleção natural em nosso planeta.

O pânico passa a ser identificado como patológico e por isso ganha o título de transtorno do pânico quando essa mesma reação acontece sem motivo, espontaneamente.


Diagnóstico

O diagnóstico do transtorno do pânico possui critérios bem definidos, não podemos classificar como transtorno do pânico qualquer reação intensa de medo. Assim sendo, estão aqui apresentados os critérios usados para fazer este diagnóstico:

a) Existência de vários ataques, no período de semanas ou meses.

b) Dentre vários sintomas, pelo menos quatro dos seguintes devem estar presentes:

1- Aceleração da frequência cardíaca ou sensação de batimento desconfortável (o coração parece que quer sair pela boca)

2- Suor abundante difuso ou localizado (mãos ou pés)

3- Tremores finos nas mãos ou extremidades ou difusos em todo o corpo

4- Sensação de sufocação ou dificuldade de respirar

5- Sensação de desmaio iminente

6- Dor ou desconforto no peito (o que leva muitas pessoas a acharem que estão tendo um ataque cardíaco)

7- Náusea ou desconforto abdominal

8- Tonteiras, sensação de estar com a cabeça leve ou vazia

9- Despersonalização* ou desrealização** - Essas duas sensações ocorrem em aproximadamente 70% da população geral, não significando como ocorrência isolada uma manifestação da doença.

*A despersonalização é uma sensação comum nos estados ansiosos que pode surgir mesmo fora dos ataques de pânico. Caracteriza-se por dar a pessoa uma sensação de não ser ela mesma, como se estivesse saindo de dentro do próprio corpo e observando a si mesmo.

**A desrealização é a sensação de que o mundo ou o ambiente em volta estão diferentes, como se fosse um sonho ou houvesse uma nuvem (a pessoa fica “aérea”).

10- Medo de enlouquecer ou de perder o controle de si mesmo

11- Medo de morrer

12- Alterações das sensações táteis como sensação de dormências ou formigamento pelo corpo

13- Enrubescimento ou ondas de calor, calafrios pelo corpo

c) Há substâncias que podem gerar reações de pânico, como os estimulantes. Quando o pânico ocorre sob esse efeito não se pode dar este diagnóstico assim como também não pode ser dado em decorrência de outros estados ansiosos anteriores como um ataque de pânico secundário a uma exposição forçada de um fóbico social por exemplo.

Prováveis causas

As causas dos ataques de pânico são desconhecidas, contudo, cada um dos pensamentos teóricos vigentes possui suas próprias teorias:

Teoria Neuroanatômica:

Baseando no princípio de que o ataque de pânico é uma perturbação do sistema fisiológico que regula as crises normais de medo e ansiedade, cientistas elaboraram hipóteses do fluxo de acontecimentos no cérebro dos pacientes com pânico. A reação de pânico começa no locus ceruleus (LC) porque sua estimulação produz quase todas as reações fisiológicas e autonômicas do pânico. O LC por outro lado se conecta ao nervo vago que se estende a regiões do tórax e abdômen, podendo explicar a origem do mal estar abdominal, sensação de sufocação e taquicardia tão freqüentes nas crises de pânico. A ponte, onde está localizado o LC, possui amplas conexões com o sistema límbico, logo acima, e é neste sistema onde se localizam as reações de medo e ansiedade. A ponte é também caracterizada por estar fora da área onde se pode exercer influência voluntária como no córtex, isto poderia explicar a origem inesperada e incontrolável das crises.

Teoria Comportamental:

Para o modelo comportamental a teoria neuroanatômica é insuficiente. Vários princípios comportamentais estão envolvidos no desenvolvimento do pânico: o condicionamento clássico, o princípio do medo do medo, a teoria da interpretação catastrófica e a sensibilidade à ansiedade. No princípio do condicionamento clássico, o paciente desenvolve o medo a partir de um determinado estímulo e sempre que exposto a esse estímulo, a recordação de medo é evocada fazendo com que a pessoa associe a idéia do medo ao local onde se encontra. Por exemplo, ao passar num túnel, caso sinta-se mal por qualquer motivo, passa a relacionar o túnel ao mal estar e gerando equivocadamente nova reação de ansiedade que passa a ser reforçada pelo alívio da saída do túnel. Este modelo não pode explicar todas as crises de pânico, nem é pretensão do pensamento comportamental explicar tudo a partir de uma só teoria comportamental.

Teoria Psicanalítica:

A teoria psicanalítica afirma que as crises de pânico se originam do escape de processos mentais inconscientes até então reprimidos. Quando existe no inconsciente um processo como uma idéia, ou um desejo, ou uma emoção com o qual o indivíduo não consegue lidar, as estruturas mentais trabalham de forma a manter esse processo fora da consciência do indivíduo. Contudo quando o processo é muito forte ou quando os mecanismos de defesa enfraquecem, os processos reprimidos podem surgir "desautorizadamente" na consciência do indivíduo pela crise de pânico. A mente, nesse caso, trabalha no sentido de mascarar a crise de tal forma que o indivíduo continue sem perceber conscientemente o que de fato está acontecendo consigo. Por exemplo, o indivíduo tem uma atração física por uma pessoa com quem não pode estabelecer contato, neste caso a própria irmã. Este desejo, então, fica reprimido porque a real manifestação dele causaria intensa repulsa, raiva ou nojo de si próprio. Para que esses sentimentos negativos permaneçam longe da consciência, a estrutura mental do indivíduo mantém o desejo reprimido. Caso esse desejo surja, apesar do esforço por reprimir, o aparato mental transforma o desejo noutra imagem, podendo esta ser uma crise de pânico. Uma vez que o equilíbrio mental foi ameaçado, o funcionamento mental inconsciente transforma o conteúdo da repressão numa crise de pânico.

Teoria Espírita:

Como seguidor da Doutrina Espírita, codificada por Allan Kardec, acredito que o transtorno do pânico pode também ser causado pela obsessão (ação de entidade espiritual sobre uma pessoa viva). Cito aqui, um caso, em que o paciente em outra encarnação havia prejudicado uma pessoa que, agora, desencarnada, se aproximou dele para acertar contas. A presença da culpa, de forma inconsciente, instalou uma “tomada” psíquica no paciente (o devedor), que lhe permitiu se conectar ao seu desafeto (espírito perseguidor), surgindo um intercâmbio psíquico dos envolvidos na mesma trama infeliz. Assim, sem nenhum atendimento em nível espiritual, instalou-se o transtorno psíquico do paciente, e, lentamente, ele foi sendo dominado pela força do agente agressor desencarnado, que se lhe assenhorou a casa mental, de forma permanente, levando-o à loucura irremediável.

Grupos de Risco

Aproximadamente 1,5 a 2% das pessoas é afetada por esse transtorno, o que significa uma prevalência alta, sendo ainda mais alto, de 3 a 4% se os critérios para diagnóstico não forem inteiramente preenchidos, ou melhor, se considerarmos as crises parciais e os quadros de ataques de ansiedade atípicos. As mulheres são mais afetadas do que os homens, sendo aproximadamente o dobro a incidência do transtorno do pânico sobre as mulheres em relação aos homens. A idade de início concentra-se em torno dos trinta anos, podendo começar durante a infância ou na velhice. A mulher de 30 anos é o grupo sobre o qual observa-se maior incidência desse transtorno.

Duração

O curso do pânico é imprevisível, tanto pode durar alguns meses como pode durar vários anos. Desde que o pânico começou a ser estudado, há poucas décadas, ainda não foi possível se verificar em que percentagem ele dura a vida toda. Os estudos de longo seguimento chegam a perto de uma década e aproximadamente 10% dos pacientes continua sintomático após esse período, ou seja, continua tendo ataques de pânico quando as medicações são suspensas. É importante notar que o tratamento não cura o pânico, apenas suprime os sintomas e permite o paciente ter uma vida normal, mas a suspensão do tratamento leva a uma recaída, caso não tenha ocorrido uma remissão espontânea do transtorno. O tratamento, mesmo quando bem conduzido, não traz garantia de cura, ou os sintomas remitem sozinhos ou permanece a necessidade de utilização das medicações. Há relatos de casos de remissão espontânea durante a gestação. A meu ver, dentro da visão espírita, essa remissão que ocorre durante a gravidez é justamente pelo fato de que o obsessor que causava o pânico pode ser o bebê que está se preparando para a reencarnação.

Medicação

O tratamento médico mais recomendado para o bloqueio das crises são os psicofármacos. Os antidepressivos de todos os grupos e os tranquilizantes são eficazes no controle das crises. Atualmente, mediante a disponibilidade de vários psicofármacos, dificilmente um paciente não melhora com alguma medicação. Todos os grupos de antidepressivos testados mostraram-se eficazes, os tricíclicos e tetracíclicos, os inibidores da recaptação da serotonina e os inibidores da MAO. Apesar de todos os grupos terem sido testados com sucesso, nem todas as medicações de cada grupo foram cientificamente testadas, presume-se apenas que sejam eficazes. Assim, também os tranquilizantes benzodiazepínicos foram testados e, dependendo da dose, todos obtiveram sucesso. A decisão quanto a escolha da medicação deve obedecer a critérios básicos como: outras doenças presentes no paciente, portadores de glaucoma não podem tomar tricíclicos, interações com outras medicações já em uso, história de reação indesejável a determinadas medicações em escolha, características individuais (por exemplo, os pacientes obesos devem optar preferencialmente pelos inibidores da recaptação da serotonina, os pacientes muito magros por tricíclicos). Pessoas com problemas sexuais devem evitar os inibidores da recaptação da serotonina. Por fim, como há entre essas medicações marcante diferença de preços, é válido considerar isso como critério de escolha desde que não seja feita em detrimento do bem estar do paciente.

Quanto à estratégia de uso das medicações, é recomendável que os antidepressivos sejam evitados isoladamente no início do tratamento. Como essas medicações só passam a bloquear as crises após duas semanas em média, e provocam uma piora do pânico no começo, é preferível que nesta fase seja dado junto ao antidepressivo, um tranquilizante, que tanto poderá ser suspenso depois, como continuar sozinho em monoterapia. Os tranquilizantes de escolha são os de alta potência, embora os de baixa potência possam ser usados em doses mais elevadas.

Terapias

A terapia cognitivo-comportamental pode ser indicada para o tratamento do pânico, contudo as medicações são mais rápidas no bloqueio das crises (colocam a “casa interna” em ordem).

Junto ao tratamento médico e psicoterápico, podem ser utilizados remédios florais de Bach e homeopáticos, como apoio.

Sabendo da forte influência espiritual atuando neste tipo de transtorno, recomendo ao paciente e à sua família que procurem desenvolver a religiosidade, seja a denominação que for, dentro de instituições sérias e tradicionais. Se o paciente for espírita, recomendo que vá ao Centro Espírita, procurando tomar passes várias vezes na semana, participar de trabalhos de desobssessão, e procurar se engajar em trabalhos voluntários em sua comunidade civil ou religiosa.

Enfim, exercitar a caridade em todos seus aspectos (material e moral).

Conseqüências

Freqüentemente encontramos entre os pacientes com pânico certas reações distintas do próprio pânico, mas oriundas dele. A mais comum é a agorafobia. A ansiedade antecipatória é uma ocorrência comum em outros transtornos de ansiedade, trata-se simplesmente da preocupação excessiva que antecede os eventos, às vezes por alguns dias. A pessoa não sabe viver o “aqui e agora”. Como o paciente com pânico nunca sabe quando sofrerá nova crise está sempre apreensivo, quando relaciona à crise a determinado local ou situação passa a ter ansiedade referentes a ele. A evitação é o comportamento decorrente da atribuição do local à sua crise; por exemplo: quem tem medo de ter crises em túneis dá voltas maiores para evitá-lo. Por fim, a hipocondria é uma manifestação freqüente no transtorno do pânico, apesar de encontrarmos poucas referências nos livros a esse respeito, na prática é uma relação bastante comum. Como as crises são fortes e muitas vezes associadas a mal estar cardíaco, os pacientes acreditam que sofrem algum mal cardiológico e por isso são encontrados nos consultórios e laboratórios de exames cardíacos, além das emergências gerais quando julgam estarem tendo um ataque cardíaco. A ligação entre o pânico e doenças cardíacas é nula conforme diversos estudos mostraram, ou seja, não existem evidências de que os ataques de pânico com forte dores no peito venham a provocar qualquer tipo de doença cardíaca, nem as doenças cardíacas por outro lado podem causar pânico.

A família

Freqüentemente os doentes com pânico sofrem muito duas vezes, a primeira por causa dos ataques e suas conseqüências, e a segunda por causa da incompreensão de que são vítimas. Em meus atendimentos, ouço de meus clientes que seus filhos, pais, cônjuges os criticam por causa das crises, dizendo que são besteiras psicológicas, entre outras coisas. Em verdade, a primeira coisa que os familiares têm que fazer é compreender, aceitar e apoiar os doentes. O transtorno do pânico é uma doença como outra qualquer, a pessoa não quer tê-la, nem pode evitá-la.

Aqui estão algumas recomendações às pessoas que convivem com quem tem o transtorno do pânico:

Evite dizer:

"Relaxe, acalme-se..."
"Você pode lutar contra isso..."
"Não seja boba(o)!"
"Não seja covarde!" , Etc.
Recomendações aos familiares de pacientes com transtorno do pânico:

Não faça suposições a respeito do que a pessoa com pânico precisa, pergunte a ela
Seja previsível, evite surpresas
Proporcione a quem sofre de pânico a paz necessária para se recuperar
Procure ser otimista para com quem tem pânico, procure aspectos positivos nos problemas
Não sacrifique sua própria vida, pois acabará criando grandes ressentimentos e mágoas
Não entre em pânico quando o doente tiver um ataque
Seja paciente, aceite e respeite as dificuldades de quem tem pânico, mas não se conforme como se ela(e) fosse uma inválida(o).
Encaminhe o doente para atendimento e tratamento espirituais em instituições religiosas sérias e tradicionais, e o incentive à prática da caridade, de forma sistemática.

*Fernando Ferreira Filho é psicoterapeuta.


Fontes:

Franco, Divaldo - Tormentos da Obsessão, Ed. Leal.

Dalgalarrondo, Paulo - Psicopatologia e semiologia do transtornos mentais, 2ª Ed. Artemed.

Silva, Ana Beatriz Barbosa - Mentes com Medo: da compreensão à superação, Integrare Editora.

sábado, 17 de setembro de 2011

Mediunidade e distúrbios mentais na visão de um médico espírita


Por Jorge Cecílio Daher Junior*

INTRODUÇÃO
Ronald Laing, psiquiatra inglês, afirma que “os místicos e os esquizofrênicos encontram-se no mesmo oceano; enquanto os místicos nadam, os esquizofrênicos se afogam.”
A relação entre mediunidade e doença mental vem de muito tempo. Veremos adiante sua relação com o demonismo da era medieval. Allan Kardec dedica o capítulo XVII de O Livro dos Médiuns para tratar dos “Inconvenientes e Perigos da Mediunidade” e questiona se a mediunidade poderia desenvolver a loucura. Os Espíritos respondem que não, desde que não haja predisposição para isso. A resposta ensejará pequena consideração quando tratarmos da visão da loucura, à época de Kardec.

Conceito histórico da loucura

Reconheço que cabe ao Prof Isaías Pessoti todo o material que serve de base a essa parte , graças ao seu “ A Loucura e as Épocas”.
Esquematicamente, veremos o conceito de loucura conforme as épocas mais importantes da humanidade ocidental, nos fixando nos períodos que definiram novos conceitos.

Conceito de Loucura na Antiguidade

A Antiguidade grega tem em Homero, autor de as Ilíadas, a primeira conceituação de loucura. A época de Homero e de Hesíodo tem a loucura como consequente à ação dos deuses, que a usavam como recurso para que os seus desejos não fossem contrastados pelos desejos dos homens.
O homem não é soberano sobre si mesmo, têm os deuses poderes para interferirem como queiram na vida dos mortais. A loucura é de origem externa ao homem, é o roubo da razão pelos deuses, que determinam a vida do homem.
Eurípedes aponta a origem da loucura como decorrente de conflitos internos, o homem não seria conduzido fatalmente à loucura, senão por uma parcela de responsabilidade. Porém, cabe aos deuses roubar a razão.
Hipócrates vê o homem como um ser em equilíbrio orgânico. Qualquer desarranjo nesse desequilíbrio, provoca a doença e a loucura. A causa da loucura é a ruptura do equilíbrio orgânico, uma visão aparentemente organicista, não fosse a anátomo-fisiologia de Hipócrates calcada em bases metafísicas.
Quem profundamente marcou o conceito médico de loucura foi Galeno. Ele restaurou a vida psíquica do homem, trazendo o conceito de pneuma psychicon, a sede da vida mental.
A Antiguidade Clássica apresentou, enfim, três perspectivas de loucura. Numa ela aparece como obra da intervenção dos deuses, noutra afigura-se como um produto dos conflitos passionais do homem, mesmo que permitidos ou impostos pelos deuses; numa terceira, a loucura afigura-se como efeito de disfunções somáticas, causadas eventualmente, e sempre de forma mediata, por eventos afetivos.

A Doutrina Demonista

A idéia medieval da intervenção diabólica como causa da loucura, e de outros distúrbios do homem, não deve ser entendida como algo que surgiu naquele momento, de modo circunstancial.
Toda a fundamentação teórica do que chamaremos de período escuro do saber humano, onde a imposição teológica serviu como instrumento coercitivo de poder, vem dos primórdios do cristianismo e surgiu como consequência da doutrina desenvolvida a partir dos Padres Apostólicos até Agostinho de Hipona.
A doutrina que se caracterizou como sendo a doutrina de Cristo, tem em sua concepção teológica, a figura do satanás, no sentido nítido de opositor, como sendo a figura do outro. Os pagãos e tudo que a eles se relaciona passam a ser demônios.
Santo Agostinho afirma que o mal não existência própria; Deus permite a existência do demônio para tornar possível o aperfeiçoamento do homem pela busca de Deus.
Tomás de Aquino faz da Escolástica referência da doutrina demonista, que vê o demônio como conhecedor das coisas e dos homens, habita o éter e age com a permissão de Deus.
O mundo se povoou de demônios e, talvez, possamos resumir o que representou essa época de obscurantismo para a psicopatologia compreendendo que, para a doutrina demonista, não se afirma “ possesso, portanto louco; mas, louco, portanto possesso.”
Como alguns sinais que evidenciam possessão diabólica, cita Chondrochi:
“… falar línguas desconhecidas ou entendê-las quando faladas por outros; descobrir e revelar fatos ocultos, esquecidos, futuros, secretos, pecados e pensamentos dos presentes; discutir assuntos elevados e sublimes quando se é ignorante; falar com elegância e doutamente quando se é ignorante; sentir-se impulsionado por uma persuasão interior a lançar-se num precipício ou ao suicídio; tornar-se inesperadamente tolo, cego, coxo, surdo, mudo, lunático, paralítico.”

Enfoque Médico da loucura

No século XVII a psicopatologia tem forte inspiração da doutrina platônica e do galenismo. Mesmo assim, o conceito de possessão ainda é admitido como causa da loucura. Mas a loucura passa a ser encarada como fenômeno natural e da alçada médica.
No século seguinte, Cullen afasta-se do galenismo e classifica a loucura como desarranjo das faculdades intelectuais. Não afasta a possibilidade, ainda que remota, da intervenção demoníaca. Arnold reforça que o substrato da loucura é alteração das faculdades mentais, não necessariamente das funções cerebrais.

A Loucura Segundo a Psiquiatria do Século XIX

O início do século passado foi a era de Pinel. Esse alienista que, quando indicado para o Hospital de La Bicêtre, liberta os loucos das amarras por entender que a loucura é fruto da imoralidade, entendida como os excessos e paixões de toda a ordem..
Pinel admite a loucura como lesão das faculdades mentais, de ordem orgânica ou moral. Por isso, propõe um tratamento moral da loucura, indicando a função de um diretor espiritual e ação notadamente repressora sobre os pacientes, que chamaria de reeducação moral.
Esquirol, discípulo de Pinel, esforça-se em buscar uma correlação orgânica com as diferentes formas da loucura, mas admite que existe loucura sem que se detecte qualquer lesão cerebral. Mas toda causa moral tem sua ação obrigatoriamente sobre o encéfalo.
Perchappe, que teve o mérito de um estudo epidemiológico da loucura, afasta do estudo da loucura qualquer especulação filosófica.
Cotard antecipa o enfoque psicodinâmico, mas trata de afastar a metafísica, principalmente a especulação sobre os corpos do homem. Desenvolve uma teoria psicopatológica de repressão do desejo, agindo sobre a mente, mas recusando-se a estudar a alma e o espírito.

Conceito espírita da loucura

Podemos passar ao estudo do conceito espírita da loucura, que teremos em Bezerra de Menezes, “A Loucura Sob Um Novo Prisma” e Manoel Philomeno, desenvolvendo as idéias de Bezerra, em “ Loucura e Obsessão”.
À época da Codificação, o conceito de loucura elaborada por Esquirol encontrava enorme repercussão. A busca de um substrato cerebral como causa da loucura, em uma época marcada pelas mesas girantes, faz justificar a mediunidade como fruto da alucinação.
A negação do princípio espiritual, ou a afirmação de uma alma apenas metafísica, faz ver como produto de uma mente excitada os fenômenos visuais da mediunidade. A teoria alucinatória tenta enquadrar a mediunidade na psicopatologia, nos quadros de exaltação delirante.
Mas o que é a alucinação? Um erro da percepção, dirão os alienistas. Mas por que ocorre esse erro ? Se é um erro, por que o caráter inteligente da alucinação, que se comunica com o que alucina de forma coerente e racional, dando sobejas provas da existência de um ser comunicante? Qual a fisiopatologia da alucinação?
Allan Kardec responde essas questões em O Livro dos Médiuns, propondo uma teoria da alucinação, que ocorre como decorrência da leitura das impressões cerebrais pela alma emancipada. Onde estariam essas impressões? Na verdade, não no cérebro físico, mas registradas nas camadas mais grosseiras (ou mais densas) do perispírito. O que se ressalta da fisiopatologia da alucinação proposta por Kardec é a inclusão da alma, ou do Espírito reencarnado, atuante, não abstrato.
Desnecessário nos é falar sobre as provas da realidade espiritual. Reforçamos apenas que, o desenvolver de uma teoria espírita da loucura, tem por base o homem/Espírito, tão bem apresentado por Kardec e pelos sábios Instrutores espirituais.
A decorrência natural de assumir-se a primazia do Espírito sobre o corpo é de se discutir o papel do cérebro nas manifestações da alma.
Como pudemos observar na evolução do conceito de loucura, partiu de causas exteriores à vontade do homem até a visão Hipocrática de alteração dos humores orgânicos. O cérebro se constituiu como órgão do pensamento, até que a doutrina demonista trouxe o terror representado por intervenções além do cérebro, provocando a loucura. Criou-se, depois o termo faculdades mentais como consequência de ter-se loucura mesmo com o cérebro íntegro. No final do século passado a visão de que alteração da fisiologia cerebral traz doença mental, reinforçou a centralização da mente sobre as funções cerebrais.
Hoje, a ciência vê o cérebro como complexa glândula endócrina, indo mais além, possuidor de bilhões de circuitos por onde transitam os pensamentos e as idéias. Onde está a consciência, onde está a mente? Nenhum gênio das ciências da mente saberá responder. Um tema palpitante de especulação científica é o da interação mente-corpo, que é de orientação notadamente organicista, por isso, muito mais próxima do materialismo vigente.

Como consequência dessa visão, que não admite qualquer especulação filosófica nos moldes clássicos, decorrente da postura cientificista de Perchappe, justifica-se, por exemplo, a esquizofrenia como alteração da neurotransmissão cerebral, afetando sistemas neurotransmissores da dopamina, serotonina e noradrenalina, de áreas específicas do cérebro. A mesma série de neurotransmissores, em locais diferentes do cérebro, é evocada para justificar a depressão, a dependência química, entre tantas doenças de manifestação, evolução e tratamento diferentes.

A teoria psicodinâmica, que envolve os fundamentos da psicologia médica, entre elas a psicanálise, a vertente cognitiva-comportamental, entre outras, estabeleceu-se como ramo não-especulativo, modernamente, acomodando-se como subsídio terapêutico e afastando de si as vertentes que não se adequam à submissão ao organicismo.
O livro “ A Loucura Sob Novo Prisma”, de Bezerra de Menezes, após apresentar a cosmogonia espírita, começa por definir o papel do cérebro nas manifestações da mente. Seria o órgão do pensamento, gerador dos sentimentos, dos afetos, dos ideais, do amor? A capacidade de amor ou ódio se mede por disposições cerebrais diferentes? Tal especulação repugna à idéia. Reduz o papel dos avatares da humanidade ao de simples produtos de um cérebro anormal (anormal enquanto fora dos padrões usuais). Por outro lado, faz do depravado, do homicida cruel, do serial killer, uma vítima de seu órgão diferenciado, porque pouco desviado do normal. Uma visão como essa justifica uma sociedade que produziu idéias de seleção de raças, a eugenia.
Mas há fragilidade em considerar-se o cérebro a sede da mente, ou consciência. Em 1966, uma notícia teve repercussão em todos os Estados Unidos. Ernest Coe tivera todo o seu hemisfério cerebral esquerdo destruído por um tumor, que foi extirpado cirurgicamente. Para surpresa da equipe médica, o paciente permaneceu vivo por mais de seis meses, mantendo todas as suas funções normais. Destaco que o hemisfério esquerdo é o dito dominante. Mais ainda, se o cérebro é a sede da consciência, como justificar tal fato ? Por reação vicariante, ou seja, a hipertrofia de funções pelo lado remanescente?
Mais ainda, em se considerando o cérebro como sede da mente, produtor dos pensamentos, idéias, emoções, sentimentos. Mesmo entre gêmeos univitelinos, existe discordância de 50-40% na incidência de esquizofrenia quando um dos pares é afetado. Fosse o cérebro a sede da mente, por serem os gêmeos univitelinos donos de aparelhos idênticos, por que a discordância e não o fatalismo?
Estejamos prontos para a visão espírita do cérebro como instrumento da mente. Emmanuel define a mente como “ o espelho da alma”, em seu livro “Pensamento e Vida”. Na verdade, a mente não é a alma, mas é fruto dela. Não está no cérebro, mas no perispírito, que reflete as disposições do Espírito eterno.
O corpo intermediário entre o Espírito e o corpo imprime na matéria densa as disposições colhidas nas experiências passadas e atuais, atuando como vigoroso modelador biológico. Assim, cada célula, em sua ligação molecular com o perispírito, recebe as impressões de variada ordem, reflexo da jornada individual. Ao ser encaminhado à reencarnação, o Espírito expressa seu propósito de renovação, confrontando com o arrastamento das tendências. Essa psicologia profunda se irradia por todo o perispírito que a transpõe ao corpo físico, gerando as disposições orgânicas às doenças, que no fundo são sempre de gênese espiritual.
O Espírito se exprime, o que o perispírito manifesta como pensamento. Quando encarnado, encontra no cérebro físico apenas um instrumento. Se esse instrumento encontra-se lesado, não exprimirá o pensamento vindo do perispírito. Mas se o cérebro encontra-se alterado apenas funcionalmente, sem lesão alguma, é porque o gerador do pensamento o faz de modo defeituoso. Qual a causa da alteração do pensamento, em nível anterior ao cérebro, ou seja, no campo do corpo espiritual?
O próprio corpo espiritual pode achar-se alterado transitoriamente, devido a sentimentos diversos, cuja gênese está no remorso, gerado por sentimento de culpa. Pode, também, estar sob a influência nociva de outra mente espiritual, interferindo diretamente sobre suas funções, no caso, obsessão espiritual.
Nos casos onde há o que chamei de alteração transitória do perispírito, transitória no sentido de que não é eterno, ocorre o que conhecemos por processos auto-obsessivos. Nesses fenômenos, não há a interferência direta de entidades estranhas na gêneses da psicopatologia de nível espiritual.

O livro “Os Mensageiros”, de André Luiz, traz o caso de Paulo, internado em Posto de Assistência, ligada a Nosso Lar. Esse Espírito, recolhido em estado de profunda alienação, apresentava psicosfera repleta das imagens por ele geradas, quando foi acometido pelo remorso por suas ações nefandas. André Luiz ausculta todos os conflitos que o paciente vivencia, as imagens das pessoas por ele lesadas, as consequências de seus atos. Paulo, esse o nome do Espírito adoentado, experimentava fenômeno auto-obsessivo, já no plano espiritual.

Em “Loucura e Obsessão”, Manoel Philomeno traz-nos o caso de Anderson, que estava sendo tratado no terreiro de Umbanda, dirigido espiritualmente por Emerenciana. Anderson se enquadrava no diagnóstico médico de autismo, tal seu estado de introspecção e fuga da realidade. Dr. Bezerra diagnostica processo auto-obsessivo, cuja gênese está em carpir intensa atividade mental em faixas do crime e da viciação, cometendo delitos que podem ser ocultados de todos, exceto da consciência que os registra e exige reparação. Transmite ao cérebro essa realidade, gerando circuitos cerebrais que aniquilam a polivalência das idéias. Tais são os processos depressivos graves, sem resposta terapêutica, por que o cérebro apenas transmite os fenômenos do Espírito adoentado.
No caso em questão, Anderson buscava sofregamente o refúgio de seu castelo celular para não enfrentar a própria consciência que acusava, agravado pela presença de cobradores espirituais.
Quando o processo se dá pela interferência obsessiva, geralmente o Espírito interferente logra atingir seus resultados pela sintonia que faz com sua vítima.
Numa rememoração rápida, Allan Kardec classificou a obsessão, conforme sua intensidade, em simples, fascinação e subjugação. André Luiz afirma que os processo de fascinação e subjugação podem ser agravados por fenômeno de vampirização.
O mecanismo que leva à fascinação e à subjugação é apresentado pelo Dr. Bezerra de Menezes, que o subdivide em duas fases distintas, desfalecimento e arrastamento.
Na fase de desfalecimento, o que ocorre é reação advinda da concessão a um mal que subjugava intimamente. Nesse caso, um homem bom, tinha nos seios da alma uma paixão que subjugava e, um dia, por circunstância imprevista, foi por ela arrebatado. Despertado após o mal já cometido, tenta encobrir a falta ao invés de vomitar o veneno, instalando em si o germen do desequilíbrio.
Com o abrir as portas da invigilância os maus Espíritos, é incitado a saciar a sede da paixão represada, porém não o obtém senão às custas de um mergulho profundo. Se começa tremendo, vai envolvendo-se mais e mais, até o total rompimento com os valores que cultivava. Isso é o arrastamento.
Na fase de arrastamento, está de todo vulnerável, as defesas acaso erguidas baixam-se e pode, finalmente, ser atingido por inimigos de outrora, que se tornam empedernidos cobradores, buscando tirar muito mais do que deram, em vingança cruel. Outras vezes, se torna joguete de Espíritos cruéis, que o utiliza como um mero servo de seus desejos, escravizando-o em vampirizações cruéis.
Quem não se lembra do jovem candidato à mediunidade, apresentado por André Luiz em “Os Missionários da Luz”, que traz em seu centro de força genésico duas entidades vampirizadoras, acopladas parasiticamente pela sintonia dos lupanares?
Certa ocasião, foi encaminhado ao nosso Grupo de Desobsessão, jovem, masculino, alcóolico, que apresentava distúrbios da conduta sexual, manifestada por travestismo e prostituição. Buscando auxiliá-lo, em técnica de desdobramento, o médium Z detectou entidade espiritual de aspecto degenerado, de formas esquálidas, como se fosse um corpo mumificado, segurando em sua mão algo semelhante a uma garrafa, fixado ao paciente através do centro genésico. Após intervenção dos dirigentes espirituais na remoção do ser oportunista, houve acentuada melhora do paciente, que até hoje não cumpriu a promessa de retornar ao grupo.
Devemos, também, abordar os casos de loucura decorrentes de alterações funcionais do cérebro que se dão em função de processos expiatórios, decorrentes das faltas cometidas pelo que hoje padece.Nesses casos, como o Espírito culpado gera vítimas, pode-se associar quadros obsessivos que atuam como complicadores da doença.
Quando o Dr. Bezerra de Menezes foi solicitado a acompanhar o caso de Carlos, conforme está no livro “ Loucura e Obsessão”, o paciente, de vinte anos, há oito padecia de esquizofrenia do tipo catatônica. O bondoso médico deu o diagnóstico como correto, mas questionou o prognóstico. Além da realidade cerebral, a realidade espiritual de Carlos mostrava agravante quadro obsessivo, complicador de seu resgate expiatório.
O paciente sofria todos os processos orgânicos da doença grave, mas a influência obsessiva perturbava-lhe as funções do sangue, gerando anemia e carências várias.
Tanto nos casos de obsessão de longo curso, como de loucura agravada por subjugação, o cérebro pode sofrer consequências danosas, o que torna a cura complexa e de difícil curso.
O sofrimento imposto pela doença, gerada pelo Espírito, que imprime em seu perispírito os transtornos consequentes às faltas perpetradas, refletidas nas alterações sobre os centros de força nos casos expiatórios, ou em transtornos auto-obsessivos, bem como nos processo de subjugação pelo arrastamento, pode levar o cérebro a processo demenciais.
Isso porque, nos casos expiatórios, os centros de força estão desorganizados, reflexo das faltas passadas e da culpa assumida pelo Espírito. Nos casos de subjugação, a emanação fluídica do Espírito obsessor atua diretamente sobre o perispírito da vítima, também fazendo com que o fluxo energético entre os centros de força não se dê de modo adequado. Nos processos auto-obsessivos, há excessiva contração dos chakras afetados.

Tratamento Espírita da Loucura

Uma vez que tentei tratar de tema tão complexo, vasto, difícil, que é a visão espírita das causas da loucura, o que poderíamos esperar de um tratamento genuinamente espírita?
Nos casos onde há a intervenção médica, as substâncias recomendadas devem ser ministradas. No caso de Carlos, Dr. Bezerra não desaconselha o tratamento médico. Isso porque os anti-psicóticos trazem alívio ao cérebro excitado, diminuem os ricos decorrentes das atitudes bizarras e condutas inapropriadas. Depois, aprimoram, no que é possível, o instrumento já avariado em seus circuitos, ainda que não conseguindo atingir o agente causaldo distúrbio, que é o Espírito.
Ao tratar da terapia espírita da loucura, o sábio Bezerra de Menezes propõe:
- Fluidoterapia intensiva: Carlos era submetido, pelos Espíritos, a fluidoterapia quatro vezes ao dia;
- Terapia ocupacional, voltada para o próximo, em atividades de benemerência, que visam despertar o ser eterno e fazê-lo granjear méritos que aliviarão suas dívidas a serem resgatadas;
- Desobsessão, que visa moralizar o Espírito obsessor, não pela repressão, mas pelo convite ao perdão como instrumento da própria liberação;
- Moralização do paciente, que tem por objetivo despertá-lo para os erros cometidos e para a necessidade de renovar-se pela prática do bem.

Nesse ponto, poderíamos questionar como moralizar um louco? É o que questiona o próprio Bezerra de Menezes, para depois responder que o faz através da evocação do Espírito encarnado, fato esse que não se faz sem risco de mistificação, exigindo a mais alta seriedade de propósitos e profundo senso crítico e conhecimento profundo dos mecanismos da obsessão.
A proposta terapêutica espírita é absolutamente uma terapia moral. Desconsideremos aqui o conceito de moral como costumes aceitos, mas ressaltemos moral como conduta de elevação espiritual.
Por isso, diferentemente de Pinel, a terapia a ser empregada não é repressora, pelo contrário, visa libertar o doente das amarras através do esclarecimento, do convite à prática de atividades de benemerência, do envolvimento daqueles que, antes de serem tratados por Espíritos obsessores, são seres como nós, que merecem nossa atenção e nosso carinho.

Certa ocasião, em desdobramento fisiológico, fui conduzido ao Sanatório Espírita de Anápolis, para uma praça que não tem equivalência física. Encontrei Justino, um paciente psicótico crônico, cuja família não o suporta, mas que sempre mantive animado relacionamento. Ele estava sério, não tinha a fácies de alienação, mas seu olhar era de uma lucidez que jamais vi em Justino. Se aproximou mais e mostrou-me uma cena em que ele protagonizava um desequilibrado, como o era na realidade cotidiana dessa existência. Disse-me que era louco por imposição da corrigenda, que sofria muito, como Espírito, vivenciar tudo aquilo, as experiências como um celerado.
Desde aquele dia, percebi que Justino não era doente, era um ser como qualquer um de nós, ele tinha alma. Suas dificuldades, oriundas de pesada expiação, por certo não encontrariam alívio imediato nessa existência, e lembrei-me do amigo Bezerra de Menezes, que dava apenas o que tinha de si, o amor.
Quando diante de irmãos em expiações pelos corredores da alienação, lembremos da Dra. Kübler-Ross que, nomeada psiquiatra numa instituição que abrigava psicóticos crônicos, ofereceu a eles amor, e, aos poucos, eles foram recobrando a lucidez que lhes era ainda possível, mas o suficiente para retornarem aos seus lares.

* Dr. Jorge Cecílio Daher Junior é médico endócrinologista em Anápolis-GO
Site:
jorgececilio.site.med.br